Como é óbvio, gostei imenso da nova colecção da
Proenza Schouler. Desta vez, os designers Jack e Lazaro inspiraram-se não só em obras de Gerhard Richter, mas também em fotografias encontradas no Tumblr. Sim, leram bem, no Tumblr. É tão interessante observar estas novas gerações de pessoas criativas, que cresceram durante a ascensão de um dos fenómenos mais revolucionários em termos sociais de toda a História da Humanidade - a Internet - e como elas adaptam e absorvem, com uma enorme facilidade, quase inconscientemente, essa realidade através das suas obras. Já lá vão os tempos em que as viagens por países exóticos, as visitas a exposições de arte e os filmes eram as únicas fontes de inspiração para os designers. Hoje, basta um computador, ou um simples
smartphone, com ligação à Internet e...
BOOM!... o mundo nas nossas mãos!
Nesse ponto de vista, o Tumblr é uma plataforma muito rica. Por lá, é possível encontrar curadores amadores extremamente talentosos, com visões estéticas muitíssimo apuradas, responsáveis por infindáveis poços de criatividade. Com isto, não quero dizer que as tais viagens a países exóticos e todas as outras formas de procura de inspiração "tradicionais" deixaram de fazer sentido. Não. Aliás, estes dois rapazes da
Proenza Schouler são conhecidos por fazerem grandes viagens e por criarem colecções influenciadas pelos territórios que visitam. No entanto, sejamos realistas, a sociedade, hoje em dia, valoriza muito o factor tempo. Queremos experimentar tudo o mais rápido possível, por isso, torna-se totalmente compreensível que os designers se virem para a Internet, na altura de procurar inspiração, uma vez que se trata de um meio mais veloz e cómodo para tingir o mesmo objectivo. Viva a globalização!
Voltando à colecção propriamente dita, devo dizer que gostei imenso do quão experimental ela se mostrou. É certo que em todas as temporadas, o Jack e o Lazaro esforçam-se por abordar novas ideias e materiais invulgares, mas esta colecção, sobretudo pela diversidade de formas, padrões e cores, pareceu-me mais "atrevida" que o habitual. O que mais se destaca são, claro, os
prints digitais - fotografias de multidões e paisagens naturais - que deram um ar muito contemporâneo e urbano às peças. O uso de cabedal e a rigidez de algumas roupas soaram-me pouco a Primavera/Verão, porém tudo isso foi compensado com maravilhosos vestidos, alguns deles com aspecto bem leve e fluído. O calçado foi um dos pontos fortes da colecção (a sério, mal posso esperar por ver aquelas botas em todos os editoriais e sites de street-style!), bem como as bandas pretas que as modelos exibiram nos seus pescoços (um pormenor muito elegante, na minha opinião).
Vejam a colecção completa
aqui.