Como muitos de vocês sabem, eu não sou fã de celebridades em capas de revistas de moda. Por variadíssimos motivos, incluindo a falta de originalidade nos editoriais, a obsessão por Hollywood e por Primeiras-damas, eu não compro a Vogue Americana. A revista não é jovem, ponto final! O seu conteúdo reflecte o ponto vista e interesses de uma mulher tipicamente americana, na casa dos 30 anos. E isso não é bom! É altamente boring! Mas por incrível que pareça, a edição de Fevereiro da Vogue Americana (Kristen Stewart na capa) seduziu-me. Não pela capa, que nada tem de especial (típica desta revista, aliás), mas sim pelos artigos e editoriais.
Capa da edição de Fevereiro de 2011 da Vogue US.
Comecemos pelo editorial "Manifest Destiny". Depois de inúmeras edições a mostrarem sempre as mesmas modelos (Karlie Kloss, Caroline Trentini e Raquel Zimmerman, por exemplo), Anna Wintour decide apostar numa modelo nova: a lindíssima Arizona Muse. O styling está excelente. Um delírio, para os fãs de minimalismo!
Segue-se "Gangs Of New York", um editorial com 35 modelos (!!!) que nos mostram as colecções S/S 11 dos melhores designers norte-americanos (Marc Jacobs, Rodarte, Michael Kors, Proenza Schouler...). Refrescante!. Algo pouco frequente na revista dirigida por Anna Wintour.
Editorial "Gangs Of New York". Colecção Proenza Schouler S/S 11.
Por fim, aquilo que me despertou maior interesse e aquilo que basicamente me "disse" para eu comprar esta revista: um artigo sobre Jack e Lazaro, os designers de Proenza Schouler. Muitíssimo bem redigido e extremamente interessante, para quem simpatiza com estes dois rapazes. (Btw, fiquei chocado ao saber que ambos vão fazer 33 anos este ano! Definitivamente, eles parecem mais novos). Como os dois designers se conheceram, o que os levou a ter tanto sucesso em tão pouco tempo, a personalidade dos dois e a maneira como eles interagem no trabalho. Está tudo lá, naquelas duas páginas que eu queria que fossem mais. :)
Jack, Lazaro e Kristen Stewart fotografados por Mario Testino
Apesar de a direcção artística da Vogue Americana ser, praticamente, uma piada, algo sem jeito, o seu conteúdo em texto é muito rico. E é basicamente isso que a distingue, com nota positiva, das outras "Vogues" (Paris e Itália, por exemplo, que apostam mais em fotografia). Além disso, esta deve ser a Vogue que mais aposta na diversidade racial (quer na escolha de modelos, quer na escolha de celebridades). Dou os meus parabéns à revista, por isso.
Continuo a não desculpar o desastre que é a capa desta edição de Fevereiro. A da edição de Março já foi divulgada. É a Lady Gaga num look arrojado. Sobrancelhas alouradas e uma peruca cor-de-rosa. Fascinante! Será que a Vogue Americana está a evoluir, para melhor, aos poucos? Esperemos que sim!