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Às vezes, algumas pessoas perguntam-me por que é que eu gosto tanto de moda e eu fico com alguma dificuldade em responder. Não porque não sei a resposta, mas porque é difícil explica-la por palavras, especialmente a pessoas que nem fazem ideia quem é o Marc Jacobs. Fácil e previsível, talvez, seria dizer que apenas gosto de roupa, mas não é esse o caso. Não é isso que me atrai avassaladoramente na moda. O que me faz estar constantemente atento às novidades desse mundo, sem nunca me cansar, é sobretudo a energia e a loucura da indústria que a sustenta.
A indústria da moda tem os seus podres, é verdade. No entanto, dificilmente encontramos tanto optimismo em relação à novidade, ao futuro, noutras indústrias. E mais, profissionais de diferentes áreas criativas como o design, cinema, música, artes plásticas ou até mesmo pornografia, cruzam-se frequentemente e convivem harmoniosamente nesse universo. Aliás, se pensarmos bem, os eventos de moda, acabam por ser os “recreios”, os “espaços de intervalo”, da grande “escola” que alberga as várias indústrias criativas… Faço-me entender? Espero que sim.
Essa questão da energia e da loucura associadas à indústria da moda tornou-se evidente, por exemplo, no evento de celebração da nova
Versus, que aconteceu na quarta-feira à noite, em Nova Iorque, e em que num só espaço, se encontravam reunidas personalidades como Lady Gaga, Woody Allen, Angel Haze, Grimes e Darren Criss. Exacto, só mesmo num evento de moda é que esse tipo de situações ocorre, certo?! E é essencialmente por isso que eu adoro esta indústria, porque nunca é aborrecida, porque está sempre a surpreender tudo e todos, seja através de uma colecção provocante ou de uma simples lista de convidados.
A Versus, que é a marca secundária da
Versace direccionada para um público mais jovem e experimental, voltou a ganhar uma maior relevância depois de recentemente ter anunciado uma mudança nas suas estratégias, com vista a envolver mais o público e as gerações mais novas. Assim, a presença da marca nas redes sociais foi reforçada e uma interessante lógica de produção de colecções, semelhante à de cadeias de lojas “fast-fashion” como a
H&M, foi apresentada: para além da sua colecção principal, a
Versus vai iniciar uma série de colaborações com jovens designers com o objectivo de criar colecções-cápsula. Surpreendentemente, o primeiro criador escolhido para trabalhar com a marca italiana foi o irlandês J.W. Anderson, cuja estética pouco ou nada tem a ver com o “maximalismo” de Donatella Versace. No entanto, anteontem, no tal evento em Nova Iorque, Anderson mostrou-nos uma fantástica colecção que conseguiu fazer aquilo que muitos julgavam ser impossível – misturar harmoniosamente o melhor da sua estética com os elementos mais icónicos da
Versus. Androginia e cortes precisos mergulhados numa dose certa de sensualidade, padrões exuberantes e alfinetes de dama prateados e dourados.
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